A disfagia após AVC (dificuldade para engolir) é uma das sequelas mais frequentes após um Acidente Vascular Cerebral (AVC), podendo comprometer a segurança alimentar e aumentar o r

Idoso com Disfagia após AVC
Última atualização e revisão: — por Dr. João Paulo Fischer (CRM/RS 28.562). Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica individual.

A disfagia após AVC (dificuldade para engolir) é uma das sequelas mais frequentes após um Acidente Vascular Cerebral (AVC), podendo comprometer a segurança alimentar e aumentar o risco de complicações respiratórias. 1 Em alguns casos, a dificuldade não é evidente no início — e pode ocorrer aspiração silenciosa, quando líquidos ou alimentos entram nas vias aéreas sem tosse imediata.1,2

Este artigo aprofunda a disfagia pós-AVC. Para uma visão geral das três grandes áreas da fonoaudiologia geriátrica (deglutição, linguagem e voz/fala), veja o Guia de Fonoaudiologia Geriátrica.

Com avaliação precoce e reabilitação direcionada, é possível reduzir riscos, melhorar a eficiência da deglutição e recuperar autonomia com mais segurança.2,5

O que é disfagia pós-AVC?

A disfagia e sequelas da deglutição após AVC ocorrem quando áreas do sistema nervoso responsáveis pela coordenação da deglutição são afetadas. Isso pode alterar etapas da deglutição na boca e/ou faringe, tornando o ato de engolir mais lento, ineficiente ou inseguro.1,2

Sinais e sintomas de alerta

Alguns sinais que merecem atenção, especialmente após AVC, incluem:

  • Tosse ou engasgos durante ou após comer ou beber
  • Voz “molhada”, rouquidão ou pigarro após engolir
  • Sensação de alimento parado na garganta
  • Escape de saliva, alimentos ou líquidos pela boca
  • Fadiga para mastigar ou refeições muito prolongadas
  • Perda de peso, desidratação ou redução importante do apetite
  • Infecções respiratórias recorrentes, como pneumonias

Por que a disfagia após AVC exige atenção imediata?

A deglutição inadequada aumenta o risco de aspiração e, consequentemente, de pneumonia aspirativa, além de desnutrição e desidratação.1,2

Diretrizes clínicas recomendam avaliação da deglutição em pacientes com AVC antes do início da alimentação, hidratação ou uso de medicações por via oral.3,4,6

Como é feita a avaliação da deglutição no paciente pós-AVC

A avaliação é realizada por fonoaudiólogo especializado e inicia-se com exame clínico detalhado, analisando coordenação orofacial, reflexos protetores, padrão respiratório e sinais de risco durante testes controlados. Quando indicado, exames instrumentais como videofluoroscopia ou FEES podem ser utilizados para melhor compreensão da dinâmica da deglutição.2,6

Para conhecer o papel da fonoaudiologia na reabilitação, veja: Fonoaudiologia no Serraville.

Tratamento da disfagia após AVC

O tratamento é individualizado e depende do tipo e da gravidade da alteração identificada, podendo envolver:

  • Estratégias compensatórias para maior segurança ao engolir
  • Exercícios terapêuticos para fortalecimento e coordenação da musculatura
  • Adequação da consistência de líquidos e alimentos, com suporte nutricional
  • Atuação integrada com equipe multiprofissional

Evidências científicas indicam que intervenções estruturadas podem melhorar a deglutição após AVC, reduzindo complicações e favorecendo a recuperação funcional.2,5,7

Disfagia no contexto da reabilitação pós-AVC

A disfagia frequentemente ocorre associada a outras sequelas neurológicas, como alterações motoras, de fala, linguagem e cognição. Por isso, apresenta melhores resultados quando manejada dentro de um plano de reabilitação neurológica integrada.2,6

Saiba mais sobre o cuidado global após o AVC: Reabilitação após o AVC. Para entender o quadro geral, sintomas e outras sequelas comuns, veja: O que é o AVC, tipos, sintomas e sequelas. Para alterações relacionadas à comunicação, veja: sequelas de linguagem (afasia).

Quando procurar ajuda especializada?

Deve-se procurar avaliação sempre que houver engasgos, tosse após refeições, voz alterada após a deglutição, perda de peso, desidratação ou infecções respiratórias recorrentes após o AVC.3,4,6

Perguntas Frequentes (FAQ)

Disfagia após AVC é comum?

Sim. A disfagia é uma das sequelas mais frequentes após AVC, especialmente nas fases iniciais, variando conforme a área cerebral afetada e a extensão da lesão.1,2

Todo paciente com AVC deve ser avaliado para disfagia?

Sim. Recomenda-se avaliação da deglutição antes do início da alimentação, hidratação ou uso de medicações por via oral, devido ao risco de aspiração.3,4,6

A disfagia após AVC pode melhorar?

Em muitos casos, sim. Com reabilitação adequada e acompanhamento especializado, pode haver melhora significativa, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente.2,5

Quais os riscos de não tratar a disfagia?

Os principais riscos incluem pneumonia aspirativa, desnutrição, desidratação e atraso na recuperação funcional.1,2

Quando devo procurar ajuda?

Sempre que houver engasgos, tosse após refeições, voz alterada após engolir, perda de peso ou infecções respiratórias após o AVC.3,4,6

Conclusão

A disfagia após AVC é comum, relevante e tratável. Com diagnóstico adequado e reabilitação orientada, é possível recuperar a deglutição com mais segurança, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.1,2,5

Referências

  1. Martino R, Foley N, Bhogal S, Diamant N, Speechley M, Teasell R. Dysphagia after stroke: incidence, diagnosis, and pulmonary complications. Stroke. 2005
  2. Martino R, et al. Dysphagia after stroke and its management. Postgraduate Medical Journal. 2012
  3. Donovan NJ, Daniels SK, Edmiaston J, et al. Dysphagia Screening: State of the Art. Stroke. 2013
  4. American Speech-Language-Hearing Association (ASHA). Adult Dysphagia – Swallowing Screening
  5. Foley N, Teasell R, Salter K, Kruger E, Martino R. Dysphagia treatment post stroke: a systematic review of randomised controlled trials. 2008
  6. American Heart Association / American Stroke Association. Adult Stroke Rehabilitation and Recovery – Key Recommendations for Assessment (Dysphagia Screening). 2020
  7. Balcerak P, et al. Post-stroke Dysphagia: Prognosis and Treatment. Frontiers in Neurology. 2022

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