A disfagia na Doença de Parkinson é uma condição frequente e clinicamente relevante, especialmente nas fases mais avançadas da doença, podendo comprometer a segurança da alimentaçã

Disfagia na Doença de Parkinson
Última atualização e revisão: — por Dr. João Paulo Fischer (CRM/RS 28.562). Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica individual.

A disfagia na Doença de Parkinson é uma condição frequente e clinicamente relevante, especialmente nas fases mais avançadas da doença, podendo comprometer a segurança da alimentação, a nutrição, a hidratação e a saúde respiratória. Trata-se de uma manifestação progressiva, relacionada às alterações motoras e de coordenação características do Parkinson, que exige avaliação e acompanhamento especializados.1,2

Em muitos casos, a dificuldade para engolir não se manifesta inicialmente de forma evidente, o que aumenta o risco de complicações como a aspiração silenciosa e a pneumonia aspirativa. Por esse motivo, a identificação precoce e o manejo adequado são fundamentais para preservar a qualidade de vida e reduzir hospitalizações.2,3

O que é disfagia no Parkinson?

A disfagia no Parkinson decorre da combinação de bradicinesia, rigidez muscular, alterações de coordenação e comprometimento dos reflexos envolvidos na deglutição. Essas alterações afetam tanto a fase oral quanto a fase faríngea do ato de engolir, tornando o processo mais lento, menos eficiente e, em alguns casos, inseguro.1,2

Diferentemente da disfagia causada por eventos agudos, como o AVC, no Parkinson a dificuldade de deglutição tende a ser progressiva e relacionada à evolução da doença, podendo inclusive surgir antes de sintomas motores mais evidentes.2

Sinais e sintomas de alerta

Alguns sinais clínicos devem ser observados com atenção em pessoas com Parkinson:

  • Tosse ou engasgos durante ou após as refeições
  • Voz “molhada”, pigarro ou rouquidão após engolir
  • Sensação de alimento parado na garganta
  • Escape de saliva, alimentos ou líquidos pela boca
  • Refeições prolongadas ou fadiga ao mastigar
  • Perda de peso, desidratação ou redução do apetite
  • Infecções respiratórias recorrentes, como pneumonias

O que torna a disfagia no Parkinson diferente?

No Parkinson, a disfagia apresenta características próprias, como a redução da sensibilidade orofaríngea, a lentificação do disparo da deglutição e falhas na proteção das vias aéreas. Essas alterações favorecem episódios de aspiração sem tosse imediata, conhecidos como aspiração silenciosa, que podem passar despercebidos.2,3

Além disso, a resposta à deglutição pode variar ao longo do dia, influenciada por flutuações motoras e pelo efeito das medicações dopaminérgicas, o que reforça a necessidade de avaliação individualizada e acompanhamento contínuo.1,4

Riscos clínicos associados à disfagia no Parkinson

A disfagia não tratada aumenta significativamente o risco de pneumonia aspirativa, além de desnutrição, desidratação e piora funcional global. Estudos indicam que complicações respiratórias relacionadas à aspiração estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes com Parkinson.3,5

Por esse motivo, diretrizes internacionais recomendam vigilância ativa da deglutição e intervenções precoces sempre que surgirem sinais clínicos sugestivos.4,6

Avaliação da deglutição no paciente com Parkinson

A avaliação da disfagia é realizada por fonoaudiólogo especializado e inclui exame clínico detalhado da musculatura orofacial, coordenação respiratória e sinais de risco durante testes controlados de alimentação. Quando necessário, exames instrumentais, como a videofluoroscopia ou a endoscopia da deglutição (FEES), auxiliam na definição diagnóstica e no planejamento terapêutico.2,6

O cuidado é integrado ao acompanhamento médico, considerando o estágio da doença, o ajuste medicamentoso e outras condições clínicas associadas.

Tratamento da disfagia na Doença de Parkinson

O tratamento é individualizado e deve ser integrado ao plano global de reabilitação do paciente, podendo incluir:

  • Estratégias posturais e compensatórias para maior segurança ao engolir
  • Exercícios terapêuticos para fortalecimento e coordenação muscular
  • Adequação das consistências de alimentos e líquidos, com suporte nutricional
  • Orientação a familiares e cuidadores
  • Acompanhamento multiprofissional contínuo

Evidências científicas demonstram que intervenções estruturadas podem reduzir complicações e melhorar a eficiência da deglutição em pacientes com Parkinson.4,5

Disfagia e reabilitação integrada no Parkinson

A disfagia frequentemente coexistente com alterações de fala, mobilidade, cognição e autonomia funcional. Por isso, apresenta melhores resultados quando manejada dentro de um programa de reabilitação neurológica integrada, com atuação coordenada entre equipe médica, fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição e enfermagem.2,6

Quando procurar avaliação especializada?

A avaliação deve ser considerada sempre que houver engasgos, tosse após refeições, alterações vocais após a deglutição, perda de peso, desidratação ou infecções respiratórias recorrentes em pessoas com Parkinson. A abordagem precoce contribui para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.3,4

Perguntas Frequentes (FAQ)

A disfagia é comum na Doença de Parkinson?

Sim. A disfagia é uma manifestação frequente no Parkinson, especialmente nas fases mais avançadas, podendo ocorrer mesmo antes de sintomas motores evidentes.1,2

A disfagia no Parkinson pode evoluir com o tempo?

Sim. Trata-se de uma condição geralmente progressiva, relacionada à evolução da doença, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo.2

A disfagia pode causar pneumonia?

Sim. A aspiração de alimentos ou líquidos pode levar à pneumonia aspirativa, uma das principais complicações associadas ao Parkinson.3,5

Conclusão

A disfagia na Doença de Parkinson é uma condição comum, progressiva e potencialmente grave, mas passível de manejo adequado. A avaliação precoce, o acompanhamento especializado e a reabilitação integrada são fundamentais para reduzir riscos, preservar a segurança alimentar e manter a qualidade de vida do paciente.1,2,4

Referências

  1. Kalf JG, de Swart BJ, Bloem BR, Munneke M. Prevalence of oropharyngeal dysphagia in Parkinson’s disease: a meta-analysis. Parkinsonism & Related Disorders. 2012
  2. Manor Y, Giladi N, Cohen A, Fliss DM, Cohen JT. Validation of a swallowing disturbance questionnaire for detecting dysphagia in patients with Parkinson’s disease. Movement Disorders. 2007
  3. Troche MS, Brandimore AE, Focht Garand KL, Hegland KW. Swallowing and cough function in Parkinson’s disease. Chest. 2014
  4. Clavé P, Shaker R. Dysphagia: current reality and scope of the problem. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology. 2015
  5. Pflug C, et al. Critical dysphagia is common in Parkinson disease and occurs even in early stages: a prospective cohort study. Dysphagia. 2018
  6. American Speech-Language-Hearing Association (ASHA). Adult Dysphagia – Parkinson’s Disease

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